EXPOSIÇÃO
FRIDA KAHLO
Conexões Entre Mulheres Surrealistas no México
A
apresentação das obras de Frida Kahlo e contemporâneas, surpreende
pela rusticidade, sensibilidade e espontaneidade da criação
feminina, em especial o trabalho desenvolvido por Frida Kahlo e sua
história de vida.
Frida
Kahlo nasceu em 1907, num momento da história, em que seu país, o
México, estava em convulsão e transformação, o vizinho Estados
Unidos em plena expansão e a Europa se preparando para a auto
destruição.
Seu
pai era judeu-alemão e sua mãe uma índia Oaxaca, que inicialmente não amou
seu pai, pois o seu verdadeiro amor, se suicidou, deixando-a
em profunda depressão e foi depois desse episódio que os pais de Frida se casaram. Esta é a origem de Frida.
Aos
16 anos, conheceu um promissor pintor, chamado Diego Rivera, com quem
viveria mais tarde, uma história conturbada, mas seu coração
inicialmente, batia mais forte por um outro jovem,de nome André, que fazia parte de
um grupo de jovens estudantes inquietos, conhecido como os Cachuchas.
Foi num
dia chuvoso, voltando da casa de André,Frida sofre um acidente gravissḿo, quando o ônibus
onde se encontrava, foi apanhado em cheio por um bonde desgovernado e
arrastado até encontrar algo sólido e parar. O impacto foi tão violenteo, que Frida foi jogada para
fora do ônibus, tendo dentro de si um pedaço de ferro, que lhe
perfurou o abdomem, causando-lhe várias fraturas pelo corpo e
pernas. Um dos seus ex-alunos conta, que o impacto do acidente foi
tão forte, que ela caiu na rua sem roupas, tendo seu corpo sido todo
coberto por uma tinta azul, que um operário que estava ao seu lado
carregava, dando a impressão para quem a via caída no asfalto, de
que uma luz azulada, emergia de seu corpo, como se sua alma estivesse de partida, enquanto um socorrista arrancava o pedaço de ferro de dentro de si. Os médicos que a receberam
e a trataram, não acreditavam em sua sobrevivência, mas depois de um
tempo, Frida foi para casa. Como permanecia a maior parte do tempo
deitada, seu pai que era Fotógrafo, instalou um espelho no teto de
sua cama e lhe comprou algumas tintas e pincéis, para que se
distraísse pintando, onde Frida da inicio a vários auto-retratos que
pintaria.
Apesar
das dificuldades e dores com que vivia, aos vinte anos, Frida se
casou com Diego Rivera, que contava então com 45 anos. Seu pai
concordou com o casamento, por se encontrar quase falido, por
conta dos medicamentos que Frida consumia, e por confiar na promessa de
Diego, de cuidar de Frida.
Durante
três anos o casamento e a vida de Frida e Diego correu tranquilo,
estando ela cada vez mais apaixonada por Diego. Mas talvez por conta
de seu talento, um dia o médico do pintor, disse ao artista que ele
por sua genética, não era homem para ter uma relação monogâmica.
Foi a deixa para Diego começar a ter outros relacionamentos fora do
casamento. Frida se angustiou muito com essa situação e buscou
também outras compensações fora do casamento. Ela se relacionou com
outros homens e também com mulheres, e acabou tendo um caso com Leon
Trotsky, quando este se hospedou em sua casa no México, exilado,
fugindo de Stalin. Diego era comunista e ateu, Frida tinha tendencias
socialistas, mas um de seus alunos, disse que no fundo, ela era
panteísta politicamente.
Frida tentou a gravidez,
queria muito ser mãe, ter um filho, mas por duas vezes teve que abortar, fato que a marcou profundamente como
mulher e que ela refletiu numa tela angustiante, essa sua impossibilidade. Com tudo isso, seu
relacionamento com Diego, chegou num ponto de saturação, e eles se
divorciaram. Frida recebeu então, um covite para expor suas obras em
Nova York e foi um sucesso. Expôs também na Europa e depois de um
tempo retorna ao México. Seus problemas se agravam e ela sofre muito
com as dores que sente, vivendo a base de remédios contra dores fortissímos,tentando aliviar seus sofrimentos. Depois de três anos
separada, casa-se novamente com Diego, seu Deus.
No
México, Frida prepara uma primeira exposição em seu país. Estava
entusiasmada, mas sofria demais com um novo aparelho que usava para
tentar amenizar suas dores na coluna. Seus ex-alunos e amigos
montaram toda a exposição, mas os médicos proibiram sua ida. Seus
amigos porém não desistiram e foram buscá-la deitada na maca e de
ambulância para fazer acontecer a exposição com sua presença. Um
ex-aluno que participou, relata que foi uma das maiores festas, onde
se reuniram pintores, poetas, músicos e participação popular.
Aos quarenta e sete anos, o corpo de Frida não responde mais aos
medicamentos e tratamentos, vindo ela a falecer um 1954. Isso arrasou
Diego, deprimindo-o, e três anos depois de Frida, Diego também se
foi. André Breton um dos percussores do surrealismo, quando conheceu
o trabalho de Frida, logo o reconheceu como surrealista. Frida foi
uma mulher de vanguarda, porém não se considerava uma pintora
surrealista. Mas se pensarmos no que uniu seu pai e sua mãe, sua
história de vida, nos fatos históricos que presenciou- duas guerras
mundiais, o surgimento da União Soviética, a crise do sistema
capitalista nos EUA em 1929 e o ressurgimento das tradições
históricas mexicanas, libertando-se da marcas colonialistas
européia
podemos concluir que, mais surrealista, impossível.
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